Trilogia Maria.

Wednesday, November 11, 2009



Recebi finalmente o último cd da trilogia que leva meu nome.
Mary!

Este post não é crônica não é prosa não é poesia.
É um agradecimento público pelo carinho de um amigo colorido, que me conhece a ponto de me apresentar em canções. E a minha sincera impressão frente tamanha dedicação não cabe em palavras!
Tento expressar e espero que este reconheça, com minhas atitudes de confiança, sabe ele ser isto tão difícil para mim. Não comunico a gratidão, atuo, pode parecer primário, mas regredir é um grande sinal de flexibilidade no ego rígido de um neurótico como eu.
Reclamo e fujo como todo paciente.
Não és meu analista mas a vida por si só é terapêutica.

Destaque para as faixas:

Jewel - Deep water.
Eels - Beautifull freak.
Larc em ciel - Niji.
Coldplay - Beautifull world.
The cure - Lullaby.
Jamiroquai - People are strange.
Moby - Escapar.
New Order - Bizarre love triangle.
Annie Lennox - Sweet dreams.
Alanis Morissette - Crazy.
Garbage - Stupid Girl.
King of Convenience - Toxic Girl.

Microconto.

Sunday, November 08, 2009



O caolho do trem.

O caolho de preto entrou no vagão. Sua pele era da cor do olho cinza, meio morto meio vivo, e sua aura de melancolia condensava-se e escorria pelo chão molhando os sapatos dos passageiros, ainda assim ninguém olhou. Morreu nos trilhos da próxima estação.

Eu já falei dela?

Tuesday, October 27, 2009



Hoje, 24 anos quase 25 depois que eu nasci, cansei dela.
À exaustão.
Deu! (Será que deu mesmo?)
Conviver com alguém que o tempo todo minimiza os prazeres da vida acaba com a alegria de qualquer um, foi assim que eu nasci, foi assim que eu cresci e é por isso que eu sou. Essa pessoa me deu amor e me deu valor, mas o mundo que me apresentou não é bonito, é perigoso, sujo, traidor, promíscuo, desse mundo tudo que parece bom é vício e tudo que é vício deve ser abandonado para alcançar a evolução espiritual, pro inferno!
Ok. Seria realmente tentador se essa pessoa fosse feliz, eu quase acreditaria.
É a lógica da propaganda, vc coloca alguém satisfeito com o produto para dizer que ele é bom. Não a Hebe dizendo que pond´s rejuvenesce.
Então essa pessoa que sabe o caminho para a felicidade, deveria ser feliz, não é mesmo?
Mas eis que consegue ser mais melancólica e depressiva (alternando entre um e outro só para variar, como num ensaio de quem vai evoluir mas não vai, há décadas!).
E a décadas eu apostei que podia ser diferente. Quanta ingenuidade da minha parte, se é pela tristeza que carrega que pretende despertar compaixão alheia para escravizar os que estão por perto.
Já não me compadeço como antes, da carne trêmula quase sexagenária entre um soluço e outro, poros abertos pelo tempo molhados, poças de infelicidade.
Simplesmente olho de longe, braços cruzados, como quem olha uma vitrine, sem expressão, para que meu olhar hoje diferenciado provoque talvez um incômodo, talvez vergonha de ser assim, e vontade de contrariar e ousar ser feliz.
Não vejo mais sentido em sentar-me ao lado, oferecer o ombro, contentar-lhe, fazer-lhe as vontades mesmo que isto custe a minha.
Vale o esforço morrer tentando salvar quem não quer viver?
Quase fui tragada por esse redemoinho de negativismo, tenho marcas por todo corpo vibrátil, a culpa por desistir vai fazer o resto do serviço em mim, mas pelo menos sinto o início de um processo de transformação.

Pensando num título!

Friday, August 07, 2009



Odeio quando o que temos a oferecer não serve ao outro por ser mais do que ele tem capacidade de entender.
Quando o script é inválido, pq a lógica do o outro é outra!
Isso me faz lembrar processo de análise, quando exatamente oq o outro faz, e te deslocar do lugar do que tu é, para promover mudança.
Mudança eu vejo nas relações que te exigem mais, pq aí tu busca, tu aprende algo além do que tu já sabia.
Alguém que não lê, não assiste bons filmes, não tem contato com as artes, não estuda, Ora! qualquer coisa que eu diga vai ser código inteligível, e é essa não compreensão do outro que me faz sentir vazia, não sei se vazio meu (que vejo meus recursos inúteis), ou dele que sinto por transferência.
Eu não sei o que fazer ou dizer, pq parece uma porta fechada, que também não está aberta à aprender, o que eu poderia mostrar, não vale de nada, então minhas armas silenciam.
A tudo que eu construí de mim, e julgo ser atraente, meus pontos fortes, esse outro é cego! Ele é cego de tudo que eu tenho para mostrar! E quer ver exatamente o pouco que não tenho.
Sexo e futebol são os fins dessas cabeças simplórias eu diria.
Eu não sou boa em nenhuma das alternativas!
Vale me perguntar então pq essa pessoa me interessou!
Bosta!

Eu não quero um amor pra vida toda.

Saturday, July 25, 2009



90% das pessoas que conheço no orkut estão na comunidade: Eu quero um amor para a vida toda.
Será?
Eu não quero, talvez quando eu tenha 50anos eu queira, aí o "a vida toda" fica mais suportável pois se restringe a oq? 10 anos? 20?
Um amor para a vida toda desde agora não obrigado.
Há algum tempo atrás duas décadas de vida eram suficientes para estruturar uma vida, vidas de uma época em que o conservadorismo impedia o prazer do lazer. As pessoas casavam e trabalhavam, e assim seria por todo sempre!
Mas e hoje? quando as informações não cessam, a qualificação nunca é suficiente, as opções de lazer são incontáveis, e mudamos nós mesmos o tempo todo ao sabor do inovador? inúmeras experiências no campo profissional, relacional, vão agregando novos conhecimentos, impressões, modos de ser que impedem que fiquemos estanques, o fluxo não pára, a subjetividade é empurrada para lá e para cá, não de todo ruim, contanto que se tenha a consciência do caminho escolhido.
Então como, no meio desses tantos EUS que vivemos em uma vida só, como haverá um único alguém que possa fazer sentido para nossa vida toda?
Quem poderá gostar de todas as Marias que fui e que ainda vou ser?
Essa pessoa também será um José que ontem foi e hoje não é.
E como essas multiplas facetas vão se adaptar uma a outra?
Dá? não dá? Quem viver verá.
Enquanto isso... QUERO UM AMOR PRA HOJE, E SÓ.

Novela das 8.

Friday, July 17, 2009



"Quando vemos algo, se o outro não vê, não existe".
Frase do Tarso hoje na novela das oito.


Já senti isso, a diferença é como eu e o Tarso lidamos com isso, eu organizo esse pensamento, dou forma e dou fala para ter (supor) controle sobre isso...
Quando acontece algo que só vc lembra, parece que não aconteceu.
Uma época tirei muitas fotos do meu rosto, como que para garantir quem eu era quando esse rosto mudasse, como se precisasse de prova! E hoje, sigo fotografando o mundo talvez como auxílio na captura do real, aquele que não cansa de se inscrever, fotos que não canso de olhar.
Pelo mesmo escrevo, marco no tempo, testemunho a história que não sei se vivi.

Um "amigo" meu, perguntou:

Tuesday, June 23, 2009



Só no entendo uma coisa como tu vai ser uma boa profissional na tua área se não viver a vida de forma intensa se escondendo das coisas que sente e sentido as emoções que desconhece através da arte... ???

Não vou me justificar...
Mentira! Vou! Eu vivo as coisas de forma intensa Dear F. P.
Simplesmente estou de féééérias. Licença?
Ok... tenho fobia de relacionamentos amorosos, principalmente àqueles que parecem que têm tudo para dar certo. Estes me colocam para correr!
Mas não acho que essa peculiaridade vá prejudicar minhas intervenções, contra meu talento nato, isso só vai influenciar se o caso for parecido COM O MEU, mas aí Dear F. P. se eu tiver optado por uma prática clínica, o meu supervisor (e é obrigatório ter um) vai me indicar a direção, e aproveitar para trabalhar na MINHA ANÁLISE essas caracteristicas.
O que precisa para ser bom profissional, é ter "gente na casa" como diz a Lispector.
Inquietações, questionamentos, criatividade, etc...
De que vale uma analista, terapeuta, seja lá o que for, casada com filhos, cachorro e grama verde, o que vc julga normal e eu julgo COMUM!
Nenhuma piração... nunca se estupefou frente a compreensão da complexidade que é se relacionar, nunca
suou frio de ansiedade frente a perspectiva de finitude da vida!?
O que eu tenho em mim é um turbilhão, que sim, se não for organizado, se não for escutado, acolhido, direcionado, enfim, será problema na minha prática profissional, mas nada que um ano de análise antes de entrar no mercado de trabalho não seja suficiente para me por no prumo e fazer disso um arsenal muito mais rico de recursos frente às angústias alheias do que o script limitado do sujeitinho padrão que me nego a tornar.